Osasco foi, durante décadas, um dos maiores polos industriais do estado de São Paulo. Cobrasma, Eternit, Brown Boveri, Braseixos, White Martins, CIMAF, Osram — essas empresas empregaram dezenas de milhares de trabalhadores que viveram sua vida profissional expostos a agentes nocivos, em condições que a legislação previdenciária reconhece como geradoras de direitos especiais.
Este artigo visa esclarecer o que é a aposentadoria especial, quem tem direito a ela e como a Varella Advocacia, com sua expertise em Direito Previdenciário, pode auxiliar os trabalhadores de Osasco a garantir um futuro mais justo e seguro.
Abordaremos a legislação aplicável, incluindo a Emenda Constitucional 103/2019 e a Lei 8.213/91, e a importância de uma análise jurídica especializada para o reconhecimento desses direitos.
Se você — ou algum familiar — trabalhou em uma dessas indústrias em Osasco, existe uma chance real de que haja um direito previdenciário não reconhecido ainda. E o INSS, por regra, não vai te avisar.
Osasco e a indústria pesada: um histórico de trabalho insalubre
A industrialização de Osasco começou na década de 1940 e atingiu seu auge nas décadas de 1960 e 1970. Nesse período, a cidade abrigou algumas das maiores indústrias metalúrgicas, químicas e elétricas do país. O perfil dessas empresas — e das atividades exercidas dentro delas — é exatamente o que a legislação previdenciária classifica como sujeito ao reconhecimento de tempo especial.
Veja o caso de algumas das principais indústrias da cidade:
Cobrasma: metalúrgicos e o direito ao tempo especial
A Companhia Brasileira de Material Ferroviário (Cobrasma) operou em Osasco de 1944 até o fechamento, em 1994. No auge, empregava milhares de trabalhadores nas áreas de fundição, forjaria, estamparia, soldagem e montagem de material ferroviário e autopeças — atividades diretamente enquadradas como especiais pela legislação previdenciária.
O que isso significa na prática?
Para períodos trabalhados na Cobrasma antes de abril de 1995, a lei permite o reconhecimento do tempo especial apenas pela comprovação da atividade exercida em empresa metalúrgica, sem necessidade de laudo técnico individual. Basta comprovar o vínculo empregatício.
Para períodos após abril de 1995, é necessário apresentar o PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) ou laudo técnico que comprove a exposição a agentes nocivos como ruído, fumos metálicos, hidrocarbonetos ou radiações não ionizantes — agentes extremamente comuns no ambiente de fundição e forjaria.
Se você trabalhou na Cobrasma, na Braseixos Rockwell (eixos e peças para a indústria automobilística) ou em qualquer outra metalúrgica da região, esse histórico precisa ser analisado por um especialista.
Eternit: amianto e direitos que vão além da aposentadoria
A Eternit se instalou em Osasco em 1940 e operou por décadas na fabricação de telhas e caixas d’água com uso de amianto (asbesto). A exposição ao amianto é reconhecida como um dos riscos ocupacionais mais graves, associada ao desenvolvimento de doenças como asbestose, mesotelioma e câncer de pulmão.
Diferentemente dos outros funcionários das empresas citadas, o trabalhador da eternit pode se aposentar com 20 anos de trabalho em razão da exposição ao amianto.
Os trabalhadores da Eternit de Osasco têm direitos cumulativos:
- Aposentadoria especial por exposição ao amianto — com tempo de contribuição reduzido (20 anos) e, dependendo do período, sem idade mínima
- Isenção de Imposto de Renda sobre a aposentadoria, caso tenha desenvolvido doença grave relacionada à exposição (como câncer)
- Benefício por incapacidade permanente, caso a doença tenha gerado impossibilidade de trabalho
- Possibilidade de revisão retroativa do benefício, se já aposentado e com valor incorretamente calculado
O caso da Eternit é especialmente crítico porque muitos trabalhadores não sabem que a exposição ao amianto, por si só, já é suficiente para o reconhecimento da atividade especial — independentemente do uso de EPI —, pois a legislação considera o agente cancerígeno como qualitativamente suficiente para o enquadramento.
Brown Boveri (ABB), White Martins, CIMAF e Osram: outros vínculos que podem valer mais
Além da Cobrasma e da Eternit, outros empregadores históricos de Osasco geravam condições de trabalho passíveis de reconhecimento como especiais:
- Brown Boveri (atual ABB): fabricação de equipamentos elétricos pesados, com exposição a campos eletromagnéticos, compostos químicos e ruído de alta intensidade
- White Martins: produção e envase de gases industriais (oxigênio, nitrogênio, argônio), com exposição a agentes químicos e riscos de pressão
- CIMAF: fabricação de artefatos de ferro, com atividades de fundição e tratamento de metais
- Osram: produção de lâmpadas com exposição a vapores de mercúrio e outras substâncias químicas
Se você trabalhou em qualquer uma dessas empresas, o histórico precisa ser avaliado. Em muitos casos, o trabalhador contribuiu por décadas para o INSS tendo esse tempo contabilizado como comum — quando deveria ter sido reconhecido como especial, o que reduziria o tempo necessário para aposentadoria ou aumentaria o valor do benefício.
Quero saber mais sobre meus direitos
E para quem ainda trabalha em Osasco hoje?
A cidade passou por uma significativa mudança de perfil econômico nas últimas décadas. Com a saída das indústrias pesadas, chegaram empresas de serviços e tecnologia como Mercado Livre, iFood, Sem Parar e Avon Cosméticos.
Para esses trabalhadores, as questões previdenciárias são diferentes — menos relacionadas ao tempo especial e mais ligadas ao planejamento previdenciário preventivo: qual a melhor data para se aposentar, qual a modalidade mais vantajosa e como corrigir erros no CNIS antes que se tornem um problema.
A Varella Advocacia atende os dois perfis: o trabalhador da indústria histórica de Osasco, que precisa resgatar direitos não reconhecidos, e o trabalhador contemporâneo, que quer planejar seu futuro previdenciário com segurança.
Como saber se você tem direito?
O primeiro passo é uma análise do seu histórico contributivo — o CNIS — combinada com os documentos de vínculo empregatício. A partir daí, um advogado especializado pode identificar:
- Se há tempo especial a ser reconhecido
- Se há períodos de trabalho não registrados no CNIS
- Se o benefício atual está sendo pago corretamente
- Se há possibilidade de revisão retroativa
Documentos úteis para trazer na consulta:
- Extrato do CNIS (disponível no app Meu INSS)
- Carteira de Trabalho (física ou digital)
- PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário), se disponível
- Laudos médicos, se houver doença ocupacional
A Legislação da Aposentadoria Especial
Antes e Depois da Reforma da Previdência (EC 103/2019)
A Varella Advocacia em Osasco
O escritório Varella Advocacia tem unidade física em Osasco, com atendimento presencial e por videoconferência.
📍 Av. Hilário Pereira de Souza, 406 – Conjunto 902 – Torre São Paulo – Osasco/SP
Dr. Ian Varella, sócio fundador, é especialista em Direito Previdenciário inscrito na OAB/SP nº 374.459, com mais de 9 anos de atuação dedicada exclusivamente à área previdenciária.
Se você trabalhou em uma das indústrias históricas de Osasco — ou conhece alguém que trabalhou —, vale a pena fazer uma análise. Muitos desses direitos têm prazo para serem reconhecidos, e esperar pode significar perder anos de benefício retroativo.
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Perguntas frequentes
Elaboramos algumas perguntas frequentes sobre os direitos previdenciários e tempo especial:
A empresa onde trabalhei já fechou. Ainda posso comprovar o tempo especial?
Sim. Existem formas alternativas de comprovação, como declarações de ex-colegas de trabalho, laudos técnicos retrospectivos, sentenças normativas do sindicato e documentos obtidos junto à Junta Comercial. Um advogado especializado sabe quais fontes acionar em cada situação.
Já estou aposentado. Ainda posso pedir revisão pelo tempo especial?
Sim, desde que o benefício tenha sido concedido há menos de 10 anos ou que você ainda esteja dentro do prazo decadencial específico do seu caso. A análise individualizada é indispensável para saber se o prazo ainda está aberto.
O sindicato pode me ajudar?
O Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco tem histórico de atuação importante na área e pode fornecer documentos relevantes para comprovação de atividades especiais, especialmente para os períodos anteriores a 1995. Mas o encaminhamento jurídico do caso deve ser feito por um advogado.
O que é o PPP e por que ele é tão importante?
A Emenda Constitucional 103/2019 afetou todos os trabalhadores da mesma forma?
Ian Varella
É o sócio fundador do escritório Varella Advocacia, especialista na matéria previdenciária e inscrito na OAB-SP com o número 374.459.
Com vasta experiência na área, ele possui especializações em Direito Previdenciário, Direito do Trabalho, Advocacia Empresarial Previdenciária e Previdência Privada e em Gestão jurídica.