INSS para Autônomos e MEI (2026): Veja a tabela de contribuição

Imagem profissional mostrando um grupo diversificado de trabalhadores autônomos brasileiros em um ambiente de coworking moderno. Em primeiro plano, uma arquiteta e um fotógrafo colaboram em um projeto. Ao fundo, uma cabeleireira, um entregador e outros profissionais trabalham, representando o universo do MEI e do contribuinte individual.

Quem trabalha por conta própria ou atua como Microempreendedor Individual costuma ter dúvidas sobre quanto deve pagar ao INSS, qual guia utilizar e quais efeitos o pagamento terá no futuro. 

Afinal, autônomo e MEI não recolhem necessariamente da mesma forma, e a escolha da alíquota pode influenciar o acesso a determinadas regras previdenciárias.

Em 2026, o salário mínimo nacional passou a ser de R$ 1.621,00, enquanto o teto dos benefícios do INSS foi fixado em R$ 8.475,55. Por isso, os valores das contribuições também foram atualizados.

Neste artigo, você entenderá:
 
  • como o contribuinte individual autônomo pode recolher pelo plano normal ou simplificado;
  • quanto o MEI paga por meio do DAS-MEI em 2026
  • como regularizar DAS e GPS em atraso;\
  • por que o pagamento posterior não garante, sozinho, o aproveitamento automático de todos os períodos;
  • quando a complementação é um assunto diferente e exige análise própria.

Análise jurídica

A análise do seu caso pode indicar qual caminho é juridicamente adequado. A equipe da Varella Advocacia pode conferir sua documentação, instruir o pedido e acompanhar o procedimento até a decisão.

A Importância da Contribuição ao INSS

Mais do que uma obrigação, a contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é a sua rede de proteção.

É um seguro público que, conforme o art. 1º da Lei 8.213/91, tem por fim “assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, […] idade avançada, […] e prisão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente”. [1]

Manter os pagamentos em dia é um ato de cuidado com o seu futuro e de seus dependentes.

Ao contribuir, você garante direito a uma série de benefícios listados no art. 18 da Lei 8.213/91, como:

Contribuinte individual (autônomo): Valores e planos para 2026

O trabalhador autônomo, definido como contribuinte individual pela Previdência (art. 11, V, da Lei 8.213/91), possui modalidades de contribuição que impactam diretamente o valor do benefício no futuro e os tipos de aposentadoria aos quais terá direito.

Plano normal de contribuição

Este é o plano que dá acesso a todos os benefícios do INSS, incluindo a aposentadoria por tempo de contribuição.

A alíquota, conforme o art. 21 da Lei 8.212/91, é de 20% sobre o valor da remuneração ou pró-labore, respeitando o mínimo (salário-mínimo de R$ R$ 1.621,00) e o máximo (teto do INSS de R$ 8.475,55).[2]

Plano Normal (20%)

Detalhes para 2026

Código de Pagamento (GPS)

1007 (Mensal)

Alíquota

20%

Valor Mínimo

R$ 324,20 (20% de R$ 1.621,00)

Valor Máximo

R$ 1695,11 (20% de R$ 8.475,55)

Direitos Principais

Todos os benefícios, incluindo Aposentadoria por Tempo de Contribuição

Exemplo Prático: Joana é uma arquiteta autônoma com renda mensal de R$ 5.000,00. Ela pode optar por contribuir com 20% sobre esse valor (R$ 1.000,00), o que garantirá uma base de cálculo maior para sua futura aposentadoria.

Plano Simplificado de Contribuição

Ideal para quem busca uma contribuição mais acessível, o plano simplificado tem alíquota de 11%, calculada exclusivamente sobre o valor do salário-mínimo, conforme previsto na Lei Complementar nº 123/2006:

Plano Simplificado (11%)

Detalhes para 2026

Código de Pagamento (GPS)

1163 (Mensal)

Alíquota

11%

Valor Fixo

R$ 178,31 (11% de R$ 1.518,00)

Direitos Principais

Aposentadoria por Idade e demais benefícios (exceto por tempo de contribuição)

O plano simplificado não dá, em regra, acesso à aposentadoria por tempo de contribuição nem à emissão de Certidão de Tempo de Contribuição com esse período, salvo se houver a complementação prevista na legislação. Essa complementação não deve ser feita por iniciativa automática: primeiro, é necessário confirmar a categoria, os meses envolvidos e o objetivo previdenciário.

Microempreendedor Individual (MEI): Valores do DAS em 2025

O MEI recolhe a contribuição previdenciária no Documento de Arrecadação do Simples Nacional do MEI — DAS-MEI. A guia mensal pode reunir a contribuição previdenciária e, conforme a atividade exercida, valores de ICMS e/ou ISS.
 
Em 2026, a parcela previdenciária do DAS-MEI corresponde a 5% do salário mínimo, ou R$ 81,05. Para atividades sujeitas ao ICMS, acrescenta-se R$ 1,00; para atividades sujeitas ao ISS, acrescenta-se R$ 5,00. O valor total depende do enquadramento da atividade:
 

Categoria MEI

Valor do INSS (5%)

Impostos

Valor Total do DAS 2026

Comércio ou Indústria

R$ 81,05

+ R$ 1,00 (ICMS)

R$ 82,05

Prestação de Serviços

R$ 81,05

+ R$ 5,00 (ISS)

R$ 86,05

Comércio e Serviços

R$ 81,05

+ R$ 6,00 (ICMS+ISS)

R$ 87,05

 
O MEI transportador autônomo de cargas possui regra previdenciária diferenciada, com contribuição de 12% do salário mínimo. Como a classificação depende da atividade e do enquadramento, o valor da guia deve ser conferido no sistema oficial antes do pagamento.
 
O DAS-MEI deve ser emitido pelo Portal do Simples Nacional, pelo PGMEI ou pelos canais oficiais indicados para o microempreendedor. O vencimento ordinário ocorre no dia 20 do mês seguinte ao período de apuração.
 
O pagamento pelo DAS garante o recolhimento previdenciário próprio do MEI, mas não equivale automaticamente à contribuição de 20% do plano normal. Por isso, o MEI que pretende utilizar determinado período em regra de aposentadoria que exige tempo de contribuição deve verificar previamente se a complementação é possível e se ela produz efeito no planejamento pretendido.

Pagamento em atraso

O cálculo de guias em atraso é feito diretamente no site da Receita Federal, no Sistema de Acréscimos Legais (SAL), que já emite o documento com os valores corrigidos.

Conforme o art. 35 da Lei 8.212/91, os acréscimos são [7]:

  • Juros: Calculados pela taxa Selic acumulada mensalmente, a partir do mês seguinte ao do vencimento, mais 1% no mês do pagamento.
  • Multa: De 0,33% por dia de atraso, calculada a partir do dia seguinte ao vencimento e limitada a um teto de 20% do valor da contribuição.

O segurado que deixa de contribuir por um período prolongado pode perder a qualidade de segurado

O art. 15 da Lei 8.213/91 estabelece os prazos do chamado “período de graça”, que pode variar de 3 a 36 meses, dependendo do tempo de contribuição e da situação do segurado.

E, caso tenha perdido a qualidade de segurado, o autônomo não pode recolher em atraso em atenção ao tema 192 da TNU:

Contribuinte individual. Recolhimento com atraso das contribuições posteriores ao pagamento da primeira contribuição sem atraso. Perda da qualidade de segurado. Impossibilidade de cômputos das contribuições recolhidas com atraso relativas ao período entre a perda da qualidade de segurado e a sua reaquisição para efeito de carência.

Como complementar sua contribuição?

Quem contribui pelo plano simplificado (11%) ou como MEI (5%) e deseja se aposentar por tempo de contribuição, pode complementar seus recolhimentos.

O art. 55, § 4º, da Lei 8.213/91 permite o pagamento da diferença entre o percentual pago e a alíquota de 20%.

A complementação da diferença do salário mínimo deve ser feita via GPS com o código 1295.

Exemplo Prático: Maria contribuiu por 5 anos no plano de 11%. Agora, ela deseja que esse tempo conte para sua aposentadoria por tempo de contribuição. Ela deverá gerar uma GPS para cada mês que deseja complementar, pagando a diferença de 9% sobre o salário mínimo da época, com juros.

Foto de Ian Varella

Ian Varella

É o sócio fundador do escritório Varella Advocacia, especialista na matéria previdenciária e inscrito na OAB-SP com o número 374.459.

Com vasta experiência na área, ele possui especializações em Direito Previdenciário, Direito do Trabalho, Advocacia Empresarial Previdenciária e Previdência Privada e em Gestão jurídica.

Referências

[1] BRASIL. Presidência da República. Publicado decreto que reajusta salário mínimo para R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro. Publicado em 24/12/2025.

[2] BRASIL. Ministério da Previdência Social. Com reajuste de 3,9%, teto do INSS chega a R$ 8.475,55 em 2026. Publicado em 12/01/2026.

[3] BRASIL. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social.

[4] BRASIL. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre a organização da Seguridade Social.

[5] BRASIL. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.

[6] VOCÊ S/A. Contribuição mensal de MEIs sobe para R$ 81,05 em 2026. Publicado em 07/01/2026.

[7] Receita Federal do Brasil. Incidência de Acréscimos Legais. Disponível em: www.gov.brs

[1] Lei 8.213/1991. Disponível em www.planalto.gov.br/. Acesso em 12/01/2026

[2] INSS reajusta piso previdenciário em 6,79%, para R$ 1.621, a partir deste mês. Disponível em noticias.r7.. Acesso em 12/01/2026.

Publicado em:Aposentadorias